Há pouco mais de cinco anos, 25,4% das exportações
brasileiras tinham como destino os Estados Unidos. Em agosto deste ano, a participação recuou para 13,9%. Embora
o país ainda seja o maior comprador individual de nossas mercadorias, os números mostram que a histórica
dependência das compras norte-americanas vem caindo ano a ano.
É boa notícia em tempos de crise econômica - sobretudo
se a nação em questão é justamente o epicentro desta crise. Melhor ainda é saber que a
fatia menor do bolo para os americanos não significou redução de volume. Ao contrário. As encomendas
dos Estados Unidos aumentaram, em quantidade e em dinheiro. Em setembro, o crescimento foi de 20,4% em relação
ao mesmo mês de 2007. O que ocorreu, na verdade, é que o tal bolo das exportações brasileiras cresceu
e passou a ser repartido em mais pedaços, com países que até bem pouco tempo atrás representavam
quase nada para as vendas externas brasileiras.
As exportações
para a Ásia aumentaram 44,3% entre setembro de 2007 e setembro de 2008 - muito em função da China, prestes
a tirar da Argentina o segundo lugar no ranking dos maiores compradores de produtos do Brasil. Para o Oriente Médio,
o aumento foi de 38% no mesmo período. Arábia Saudita, grande compradora de aves, aeronaves e açúcar,
surge como o principal mercado da região: as vendas brasileiras para o país cresceram 61,4% nos primeiros nove
meses de 2008. Os sauditas já compraram, até agora, mais do que haviam encomendado em todo o ano passado. "Muito
dessa diversificação se deve a um trabalho que o governo vem fazendo desde 2003, com feiras internacionais,
negociações bilaterais e até mesmo com as viagens presidenciais a países que antes não
eram visitados pelos nossos dirigentes", diz Teixeira.
O presidente
da Apex conta que a área de inteligência comercial competitiva da entidade já trabalhava desde 2005 com
as perspectivas de desaceleração econômica nos Estados Unidos e Europa. Foram estes estudos que aceleraram
o projeto de diversificação de destinos dos produtos nacionais. "A América Latina, por exemplo,
está melhor preparada do que antes para enfrentar crises mundiais e isto nos fez reforçar o comércio
com os vizinhos. O mesmo se deu com a China. Mesmo que sua economia desacelere, ainda assim será capaz de apresentar
um crescimento real de 6% a 7% ao ano e o país vai continuar comprando minério de ferro, aço, soja e
derivados de petróleo do Brasil.
Outras boas alternativas foram Arábia Saudita e Emirados Árabes.
Estão capitalizados e com a economia evoluindo a cada mês", diz Teixeira. Entre janeiro e agosto deste
ano, o Brasil vendeu o equivalente a US$ 130,8 bilhões em produtos para todo o mundo, um acréscimo de 27,7%
em relação a igual período do ano anterior. Os números de setembro, recém-divulgados, mantêm
o ritmo. Foram US$ 20 bilhões, perfazendo US$ 150,8 bilhões no acumulado do ano. Já é quase todo
o volume vendido em 2007. "Bateremos o recorde do ano anterior, não tenho dúvida disso", afirma Alessandro
Teixeira, presidente da Apex Brasil, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos.
O desafio agora
é estimular cada vez mais às exportações de produtos com maior valor agregado - um dos pilares
da recém implementada política industrial brasileira. Números do Ministério da Indústria,
Comércio e mostram que os produtos manufaturados apresentaram crescimento médio de 35% na pauta de exportações
brasileiras.
É um bom sinal, pois os preços das commodities, vocação
nacional, devem declinar nos próximos meses. "Fizemos a lição de casa. Agora é torcer para
que a crise comece a esfriar daqui para frente. Acredito que no ano que vem a situação estará mais calma",
conclui Teixeira.
Fonte: Época
Negócios