Computados os resultados das exportações no
mês de outubro, a Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína
(Abipecs) concluiu que houve uma pequena queda nas vendas, de 6,65%, mas que foi compensado pelo crescimento de 51,72% em
valor financeiro, comparado ao mesmo mês do ano passado.
Em nota, a Abipecs disse que “o mês de outubro será lembrado como o que revelou ao mundo a dimensão
da crise financeira global de 2008, semelhante à de 1929”, mas que o resultado do setor não foi ruim,
“apesar da enorme flutuação cambial no mês passado [outubro], com um componente de incerteza sobre
o valor do real, o que inibiu contratações e embarques”.
O país exportou, em outubro, 46,93 mil toneladas de carne suína, no valor de US$ 144,5 milhões, enquanto
no mesmo mês do ano passado foram 50,27 mil toneladas por US$ 95,23 milhões. A grande diferença no total
arrecadado se deu porque enquanto em 2007 a média de preço foi de US$ 1.894 por tonelada, este ano foi de US$
3.079, um aumento de 62,53%.
Para o presidente da associação, Pedro de Camargo Neto, os importadores têm tentado renegociar os valores,
“porém, a ausência de estoques no Brasil e no exterior, bem como a chegada do fim do ano, são fatores
produtivos”. Ele explicou que o fim do ano, principalmente pelas festividades natalinas, é um bom período
de vendas e tem fortalecido a suinocultura.
No acumulado dos dez primeiros meses do ano, as exportações caíram 3,91% em volume, mas aumentaram seu
valor em 39,47%. A diferença foi de 490,1 mil toneladas e US$ 950,72 milhões em 2007 para 470,9 mil toneladas
e US$ 1,32 bilhão neste ano. A Rússia é o principal importador da carne suína brasileira, comprando
43% do total.
Apesar dos resultados positivos, Camargo Neto reclama que a contínua restrição ao crédito afeta
as empresas do setor. “As medidas anunciadas pelo governo federal apontam na direção correta, porém,
infelizmente, não chegam ao caixa das empresas. Todo o setor bancário, inclusive o oficial, vem aumentando as
exigências e as garantias na renovação de linhas de crédito, praticamente inviabilizando o mesmo
volume de contratações, impondo novos custos ao setor”, analisou.
O presidente da Abipecs considera que “é preciso criar novos instrumentos financeiros para aprofundar o apoio
do governo à economia, pois a simples manutenção do que existia antes da crise mostra-se insuficiente”.
Fonte: Agência Brasil