Com a diminuição da exportação para os Estados
Unidos, empresas buscaram outros países e faturam com a valorização do câmbio.
A exportação
de madeira compensada e outros derivados para os Estados Unidos sofreu uma queda substancial. O motivo é a crise imobiliária
americana, devido à retração no mercado de construção civil. Entidades empresariais do
setor calculam que dos 30 mil metros cúbicos entregues mensalmente para aquele país, 22% deixaram de ser exportados
nos últimos dois meses. Entretanto, as empresas do Paraná que optaram por outros mercados no exterior estão
faturando com a valorização do câmbio, para cada US$ 1 exportado os empresários brasileiros estão
faturando US$ 2,15. ''A queda poderá ser ainda maior, da ordem de 40% para os EUA'', declara Jorge Camilotti, presidente do Sindicato
da Indústria de Madeira do Estado do Paraná. A previsão do líder empresarial se baseia na falta
de crédito dos bancos para aquecer a produção da indústria brasileira. Segundo ele, além
dos bancos brasileiros não emprestarem, o setor da construção civil americano também não
vem conseguindo crédito naquele país. ''Falta capital de giro para ambos os lados'', sintetiza. O imbróglio
aumenta, segundo o dirigente patronal, porque o governo brasileiro só disponibiliza o Banco Nacional de Desenvolvimento
Social (BNDS) para linhas de crédito. ''O BNDS só serve para empresas grandes, não é o caso da
indústria madeireira paranaense'', argumenta. Além da falta de crédito, a indústria madeireira
no Paraná vem sofrendo restrições ambientais no Norte do estado, principalmente de árvores da
espécie jequitibá e cedro. O compensado utiliza como 'recheio' a madeira das espécies pinus e eucalipto,
sendo sua parte externa coberta pelas espécies do Norte do Estado. Diante desta situação, Jorge explica
que o setor já amarga uma queda de 50% na produção de madeira beneficiada. Diante disso, as demissões,
férias coletivas e até fechamento de fábricas paranaenses já começaram em todo estado.
''Quem optou por outros mercados, escapou'', pondera Antonio Rubens Camilotti, presidente da Associação Brasileira
de Madeiras Mecanicamente Processadas (Abimci). Rubens, que é irmão de Jorge, representa o setor madeireiro
nacional. Segundo ele, a queda nas expotações para os EUA já vinham caindo desde o primeiro semestre
de 2007, em torno de 60% de queda. Rubens argumenta que a queda americana fez com que o setor realocasse as exportações
para a Europa, Oriente Médio, África e parte do continente asiático. Mesmo com esta readequação,
a indústria paranaense contabilizou uma perda de 15% ainda no ano passado. Em contrapartida, se o volume de 130 mil
metros cúbicos mensais exportados pelo País para o mundo caiu, o câmbio tratou de valorizar o produto
em até 34%. Para cada dólar exportado, o Brasil faturou US$ 2,15. Do total de produtos à base de madeira
exportados em 2007, o Brasil faturou US$ 3,7 bilhões.
Fonte: Folha de Londrina