O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, disse nesta quinta-feira
(6), durante a reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, que, até ontem (5), a instituição
tinha liberado US$ 14 bilhões, com o objetivo específico de prover liquidez da moeda estrangeira no mercado.
Segundo Meirelles,
a volatilidade do mercado de câmbio foi reduzida, com a venda de US$ 24,5 bilhões em swap cambial (contratos
que trocam o rendimento em juros pela oscilação do dólar) e dos US$ 1,5 bilhões relativos à
não-rolagem do swap cambial reverso. Nessa operação, as instituições financeiras compradoras
do contrato ganham uma taxa de juros, e o BC recebe variação cambial do período de validade dos contratos. “O mercado
cambial funciona influenciado pelo mercado à vista, mas é fortemente influenciado pelo mercado futuro, e isso
está relacionado à flutuação do valor de câmbio do real contra o dólar”, explicou
Meirelles.
Até
esta quarta-feira (5), a soma do total de atuações do mercado de câmbio foi de US$ 40 bilhões.
“Dos leilões de dólares, apenas US$ 5,1 bilhões foram usados com recursos das reservas internacionais”,
disse. “Mas o BC tem capacidade de vender até US$ 50 bilhões adicionais, caso seja necessário”,
completou. Meirelles informou que o BC tem realizado alguns tipos de operações que não afetam as reservas
– cerca de US$ 35 bilhões. “Trata-se de aplicações das reservas, diferentemente da venda
de dólares no mercado à vista.
São empréstimos realizados com garantias, e serão
recebidos ao final do processo”, disse, referindo-se aos US$ 5,8 bilhões relativos a leilões com recompra
simultânea, aos US$ 1,6 bilhão garantidos em global bonds, e aos US$ 1,5 bilhão referentes ao primeiro
empréstimo, realizado ontem, com a garantia de Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC), e Adiantamento Cambiais
Entregues (ACE).
“Foi
publicado nos jornais que o BC obteve lucros importantes com operações de câmbio. De fato é verdade,
porque porções foram compradas quando o dólar estava mais barato. Mas a finalidade do BC com essas operações
não foi a de gerar lucros. Foi proteger o país de um excesso de volatilidade. Felizmente, pudemos ajudar também
as contas públicas.” O BC havia disponibilizado US$ 2 bilhões para o leilão de ACC e ACE de ontem, dos
quais foram arrematados US$1,5 bilhões.
Meirelles chamou a atenção para um dado importante: “Esses
valores foram arrematados por 18 instituições. Algumas delas eram instituições pequenas, que compraram
valores pequenos. Isso indica uma disseminação importante no mercado.” Segundo ele, o êxito das ações
começa a chegar nos bancos médios e pequenos, provendo liquidez para o sistema. “Da linha total disponibilizada
pelos compulsórios, que pode chegar a R$ 100 bilhões, R$ 47 bilhões já foram injetados para dar
liquidez ao mercado. Bancos pequenos e médios tiveram 100% dos seus compulsórios liberados. Aos bancos grandes
foram liberados valores variados, totalizando cerca de R$ 2 bilhões”, disse.
Meirelles apontou, como resultados das medidas adotadas pelo BC, a regularização
gradual da oferta de recursos para exportação e a redução da volatilidade do mercado de câmbio.
Destacou também a atuação do órgão, por não ter comprometido o bom nível
das reservas internacionais. “Se considerarmos os US$ 30 bilhões disponibilizados no contrato firmado com o Federal
Reserve [o Banco Central dos Estados Unidos], chegaremos a um total de US$ 230 bilhões em reservas”, disse. “Estamos
reservando poder de fogo”, finalizou.