As exportações brasileiras somaram US$ 18,512 bilhões
no mês de outubro, com redução de 7,5% em relação ao mês anterior. Mas, comparado
a outubro do ano passado, houve expansão de 17,4%, conforme revelou nesta segunda-feira (3) o secretário de
Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Welber Barral.
A menor performance
das vendas de produtos brasileiros no mês passado não tira, contudo, a confiança do secretário
quanto ao cumprimento da meta para este ano, de exportações totais equivalentes a US$ 202 bilhões. Em
especial, segundo ele, porque “o Brasil diversificou bastante os mercados, de modo a reduzir a dependência do
mercado norte-americano”.
Para Barra,
a meta é factível, considerando-se que as exportações acumulam US$ 169,372 bilhões no ano
e ainda faltam dois meses para encerrar 2008. Basta vender em torno de US$ 16,5 bilhão por mês, o que "é
bastante provável", no seu entender, apesar da menor demanda mundial, por causa da crise iniciada nos Estados
Unidos. Ele destacou que as importações também tiveram comportamento estável em outubro, com
aumento de apenas 0,2% na comparação com setembro.
O país comprou do exterior pouco mais de US$ 17 bilhões,
patamar que se mantém há quatro meses. Barral salientou que “as importações vinham crescendo num
ritmo bastante forte”, mas as compras de produtos estrangeiros foram menores, no mês passado, principalmente por
causa da volatilidade do câmbio, com significativas oscilações na valorização da moeda americana. Isso fez, inclusive,
com que muitas mercadorias permanececem nos portos, com os importadores à espera de redução na cotação
do dólar para retirar as compras, explicou Barral.
De acordo com o secretário, isso acontece, principalmente, em relação
a bens de consumo não-duráveis como alimentos, brinquedos e têxteis. Barral contesta que a redução
na internalização ameace a normalização de oferta dos produtos mais consumidos nas festas de fim
de ano. Ele assegurou que “a ceia de Natal vai ser servida com bons produtos”. Segundo ele, as importações
de bens de capital, para renovação do parque industrial, continuam em alta.
O secretário
admitiu, no entanto, que a crise financeira afeta vários países, tanto nas exportações quanto
nas importações, porque “há receios em fechar contratos de longo prazo, em razão da volatilidade
do dólar”. Ele disse que o ministério “acompanha a situação com muito cuidado”,
em especial quanto às possibilidades de garantir oferta de crédito para as exportações, a diversificação
de mercados e o combate a medidas protecionistas e à concorrência desleal de outros países. De acordo com
levantamento do ministério, as exportações de outubro cresceram nas três categorias, comparado
ao mesmo mês de 2007.
As vendas de produtos básicos (minério de ferro, algodão
em bruto, fumo em folhas, carnes, café, petróleo em bruto e outros) somaram US$ 7,180 bilhões, com expansão
de 27,8%. Os produtos semimanufaturados (ferro e aço, óleo de soja, açúcar e celulose) atingiram
US$ 2,777 bilhões, com aumento de 30,4% sobre outubro do ano anterior. Os manufaturados (alumínio, etanol, veículos,
tratores e autopeças), com menor desempenho de vendas, cresceram só 3,5%, em função da redução
da demanda internacional e alcançaram vendas de US$ 7,976 bilhões.
Quanto às
importações, os aumentos mais expressivos, na comparação com o mesmo mês do ano passado,
foram nas compras de combustíveis e lubrificantes (+52,6%), bens de capital (+39,4%), matérias-primas e intermediárias
(+39,3%) e bens de consumo (+30,2%). Mas os gastos com petróleo foram menores que nos meses anteriores, segundo Barral,
por causa da queda do preço internacional do produto.
Fonte: Agência Brasil