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O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu nesta terça-feira possibilidade
do Governo Federal adotar a proposta da Confederação Nacional da Indústria (CNI) de ampliar, temporariamente,
o prazo de pagamento dos impostos, atualmente de 30 dias, como medida emergencial para melhorar a liquidez, diante dos efeitos
no Brasil da crise econômica mundial. A sugestão lhe foi apresentada diretamente, ao final da manhã pelo
presidente da CNI, Armando Monteiro Neto, no painel Cenário Econômico e Político do Brasil, que abriu
os debates do 3º Encontro Nacional da Indústria (ENAI), no Centro de Eventos e Convenções Brasil
21, em Brasília. “A medida está sendo cogitada pelo governo. Estamos vendo esta questão”, revelou
Mantega. Mesmo
assinalando ser preciso, antes, analisar o impacto da iniciativa nas contas públicas e levar em consideração
que a possível redução dos lucros das empresas com a desaceleração da economia brasileira
vai afetar a arrecadação, o ministro da Fazenda reconheceu que o bom desempenho fiscal do Governo é fator
favorável à ampliação do prazo. Para o presidente da CNI, dilatar o prazo do pagamento dos impostos ajudaria a
melhorar a liquidez imediatamente, ao contrário das medidas adotadas pelo governo de redução dos depósitos
compulsórios dos bancos, cujos efeitos na oferta de crédito ainda não são sentidos. “Ampliar
o prazo do pagamento dos impostos é uma decisão sábia e não significa renúncia fiscal.
Tem caráter extraordinário e é de efeito horizontal, beneficiando todas as empresas, que reforçariam
o capital de giro”, defendeu o presidente da CNI. Segundo ele, as empresas normalmente recebem em 120 dias e pagam os impostos em
30 dias, descompasso que, num momento de aperto de liquidez, como agora, aumentará, na sua visão, a inadimplência
no pagamento de impostos. Na opinião de Armando Monteiro Neto, o ideal é dilatar o prazo de pagamento dos impostos
também para 120 dias. Além de Guido Mantega e Armando Monteiro Neto, participaram do painel 'Cenário Econômico
e Político do Brasil', mediado pelo jornalista William Wack, da TV Globo, os senadores Aloizio Mercadante (PT-SP) e
Tasso Jereissati (PSDB-CE), o ex-presidente do Banco Central Carlos Langoni, diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação
Getúlio Vargas, e o empresário Jorge Gerdau Johanpetter, do Grupo Gerdau. Todos foram unânimes num ponto: a
atual crise econômica é a mais grave da história e não tem prazo para se encerrar.
Fonte: Agência CNI
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