A sétima reunião extraordinária do Conselho do Mercado
Comum, que vai ser realizada em Brasília nesta segunda-feira (27), deve servir para que os ministros dos países
do Mercosul possam coordenar as ações dos países integrantes do bloco em resposta à crise financeira
mundial. Entretanto, não deve haver decisões.
“Não estou esperando nenhuma medida específica adotada naquele momento [reunião de segunda-feira]
e também não creio que vá haver nenhuma medida na reunião que o presidente Bush está convocando”,
afirmou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.
“Ninguém tem uma resposta imediata, cada um tem a sua, mas você vai trocar experiência e vai mostrar
por que fez tal coisa e não fez outra e também como aquilo que nós formos fazer no futuro deve ser feito
de uma maneira coordenada, transparente e sobretudo que não prejudique as relações entre os próprios
países da América do Sul, que é um patrimônio muito grande”, afirmou Amorim, logo depois
de se reunir com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Autoridade Palestina, Riad Al-Maki.
Mesmo sem esperar decisões, o ministro disse que a expectativa é muito positiva. “Eu tenho a certeza de
que uma das coisas importantes que nós temos que discutir é como evitar que o patrimônio da integração
que foi criado não se perca por conta de uma reação a problemas que vêm de outros lugares.”
Perguntado sobre possíveis novas reações de caráter protecionista vindas da Argentina, o chanceler
se mostrou confiante de que o país vizinho não deve responder dessa forma à crise.
“Medidas protecionistas não são boas, porque geram outras medidas protecionistas, e se a pessoa olhar
para a história e para a crise de 1929, vai saber que o fato de cada um querer proteger apenas o seu interesse e não
pensar no interesse dos seus parceiros acabou prejudicando a si próprio, mas eu não acredito que a Argentina
vá fazer isso [adotar mais medidas de salvaguarda]”, argumentou.
Amorim defendeu, também, que é importante uma posição de liderança dos países mais
ricos, que deveriam demonstrar maior flexibilidade para a conclusão da Rodada Doha.
Para o ministro, a finalização desse acordo seria fundamental, ainda que não seja uma solução
definitiva. “Certamente isso seria um sinal positivo que poderia ser dado”, disse. Para Amorim, um acordo poderá
contribuir para diminuir o efeito negativo da crise financeira na economia real.
Fonte: Agência Brasil