O déficit em transações correntes (todas as operações
do Brasil com o exterior) em setembro foi maior do esperava o Banco Central (BC).
A informação é do chefe do Departamento Econômico
do BC, Altamir Lopes. O resultado negativo chegou a US$ 2,769 bilhões no mês passado e a US$ 23,264 bilhões,
no acumulado do ano. “No que diz respeito ao déficit em transações correntes para setembro, esse
déficit foi acima da nossa expectativa.
Acima da expectativa de mercado”, afirmou Lopes. Segundo ele, o resultado foi
influenciada principalmente pelos aumento das remessas de lucros e dividendos de filiais no Brasil para cobrir matrizes no
exterior em dificuldades por conta da crise financeira internacional.
No mês
passado, o valor das remessas ficou em US$ 3,436 bilhões. Neste mês, até hoje (23), houve uma acomodação
para US$ 1,126 bilhão. Entretanto, disse Lopes, “nada nos diz que não venhamos a ter uma aceleração
ao final do período”. Para ele, a tendência é de desaceleração, por dois motivos: “Primeiro,
o estoque de investimentos em dólar cai com a depreciação do câmbio. Então, tende-se a remeter
bem menos em dólar. Por outro lado, a rentabilidade das empresas também tende a não ser a mesma que se
tinha anteriormente.”
Dificuldade
de crédito é um dos principais problemas da indústria
A falta de
capital de giro e os juros elevados ganharam importância entre os principais problemas das indústrias brasileiras
no terceiro trimestre deste ano, aponta a pesquisa Sondagem Industrial, divulgada nesta quinta-feira, 23 de outubro, pela
Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com os economistas da CNI Flávio Castelo Branco
e Renato da Fonseca, essas variações já são reflexo do agravamento da crise financeira internacional.
“O problema é claramente financeiro, principalmente para
as grandes indústrias”, afirmou Fonseca. Entre as grandes empresas, a falta de capital de giro foi assinalada
por 15% dos entrevistados, quase o dobro dos 8% da pesquisa anterior. No caso das indústrias de médio porte,
o problema foi lembrado por 21% dos entrevistados, seis pontos percentuais acima do resultado da pesquisa do segundo trimestre. “Essa
questão aparece mais fortemente entre as grandes e médias empresas, porque são elas que buscam mais créditos
para se financiarem”, lembrou Castelo Branco.
“As grandes, por exemplo, captam recursos diretamente no exterior,
onde o problema de liquidez é maior”, acrescentou Fonseca. A citação desse problema entre as empresas
pequenas variou pouco. Caiu de 21% para 20% entre as pesquisas do segundo e do terceiro trimestres. “Isso acontece porque
normalmente elas já têm dificuldades para obter crédito, então não é um fator influenciado
só pela crise, é estrutural”, disse Fonseca. A taxa de juros elevada teve percentuais de respostas parecidos entre as empresas
de médio e grande portes.
Entre as primeiras, passou de 26% no segundo trimestre para 31% de citações
no terceiro. Entre as grandes, foi de 27% na pesquisa anterior para 32% na atual. Flávio Castelo Branco afirmou que os juros
altos já estão agindo na diminuição do ritmo de crescimento da demanda e na manutenção
da inflação próxima da meta de 4,5% estabelecida pelo governo para este ano. “Por isso, e por conta
da crise, o Banco Central não precisa aumentar juros na próxima semana”, avaliou o economista.
Fonte: Agência
CNI