Colocando na ponta do lápis todos os custos de produção
que os empresários têm para produzir, somados à valorização do real frente ao dólar,
o resultado das exportações de calçados nos últimos meses tem sido negativo, ao contrário
do que apontam os dados calculados em dólar. Na avaliação do vice-presidente da Abicalçados, Ricardo
Wirth, se o faturamento obtido com os embarques, que sempre é computado em dólares – for convertido em
reais (moeda que entra na conta dos exportadores), pode-se ver que os cenários são muito diferentes. De janeiro
a julho deste ano, o setor registrou divisas na ordem de US$ 1,144 bilhão. Convertido para a moeda brasileira, este
montante ficou em R$ 1,92 bilhão. Para este resultado, foi utilizada a taxa média do dólar de R$ 1,68.
No mesmo período do ano passado, as exportações somaram US$ 1,117 bilhão, equivalendo a R$ 2,25
bilhões. A taxa média do dólar de janeiro a julho de 2007 havia sido de R$ 2,20. “Ao transferirmos
para reais, percebemos que o faturamento das exportações nestes sete meses caiu 14,86%”, aponta o dirigente.
Utilizando a moeda norte-americana, o faturamento foi de 2,4% positivo.
“Com o dólar tão depreciado frente ao real, não podemos oferecer um preço competitivo para
os importadores. Os empresários brasileiros já não têm lucro, pois não conseguem repassar
o aumento dos insumos para o valor final. Na hora de converter seus valores para a moeda americana, sempre há perda,
pois quanto menor o valor do dólar, mais caro ficará o calçado”, explicou Wirth. O preço
médio do sapato aumentou três por cento, sendo vendido a US$ 11,08. Segundo ele, a única maneira de melhorar
a situação dos exportadores seria um dólar estável e condições competitivas de produção,
como uma carga tributária menor.
Em pares, a queda foi de 0,6%. Foram embarcados ao longo deste ano 103,2 milhões de calçados contra 103,9 milhões
de pares remetidos ao exterior de janeiro a julho de 2007. Os dados são da Abicalçados, com base nos números
fornecidos pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), ligada ao Governo Federal.
Redução – O maior comprador dos sapatos made in Brazil, os Estados Unidos, continuam apresentando queda
nas compras, mesmo com a redução do preço médio nos sete meses de 2008. De janeiro a julho de
2007, os americanos compraram 32,8 milhões de pares, com faturamento de US$ 446,5 milhões e em 2008, neste mesmo
período, os embarques caíram para 26,7 milhões de pares (-18,5%) com faturamento de US$ 301,3 milhões
(-32,5%). O preço médio, que foi de US$ 13,59 em 2007, diminuiu para US$ 11,26 em 2008. A queda nos embarques
não é observada somente no continente americano. Entre os compradores europeus mais expressivos, a Espanha reduziu
as compras de 3,6 milhões de pares no ano passado (que geraram faturamento de US$ 35,5 milhões) para 3,1 milhões
de pares esse ano (US$ 39,9 milhões). O preço médio, porém, foi de US$ 9,73 para US$ 12,66.
Aumento - No comparativo com os sete primeiros meses do ano passado, outros países tiveram acréscimo nos pedidos,
porém com números menos expressivos que os norte-americanos. Neste período, a vizinha Argentina passou
de 6,1 milhões de pares (equivalentes a US$ 81,2 milhões em divisas) para 7,1 milhões de pares este ano
(US$ 101,3 milhões), mesmo com a alta no preço médio, que foi de US$ 13,15 para US$ 14,22. A Itália,
por sua vez, passou dos 4,2 milhões de pares adquiridos no ano passado (equivalentes a US$ 58,9 milhões) para
5,1 milhões de pares este ano (US$ 96,1 milhões), sendo que o preço médio saltou de US$ 13,89
para US$ 18,65. A Venezuela também aumentou a demanda, passando de 5 milhões de pares (com divisas de US$ 32,8
milhões) para 5,4 milhões de pares (US$ 40,6 milhões), e alta do preço médio, que foi de
US$ 6,50 para US$ 7,49.
Importações preocupam setor
De janeiro a julho de 2008, o crescimento das importações, em número de pares, é da ordem de 58,1%,
enquanto em termos de valores pagos pelo Brasil, o aumento foi de 59,6%. Dos 15,1 milhões de pares importados pelo
Brasil nos primeiros sete meses de 2007, pelos quais foram pagos US$ 110,2 milhões, o volume subiu para 23,9 milhões
de pares no acumulado deste ano, equivalente a US$ 175,9 milhões. O preço médio passou de US$ 7,27 para
US$ 7,34 este ano.
A Abicalçados está preocupada com a situação, visto que a recessão nas economias centrais,
principalmente nos Estados Unidos e Europa, reduziram o crescimento do consumo de calçados naqueles mercados. A produção
asiática, porém, segue em seu compasso acelerado, com suas fábricas funcionando a pleno, o que gera um
excedente de calçados que devem entrar em diversos mercados, inclusive no Brasil.
Até agora, os principais vendedores seguem os mesmos: China e Vietnã. Da China vieram 20,8 milhões de
pares ao longo deste ano (US$ 127,2 milhões) e do Vietnã foram comprados 1,7 milhão de pares a US$ 26,6
milhões. O restante do volume adquirido pelo Brasil está dividido entre quase 50 países, porém
em pequenas proporções.
Fonte: Assessoria de Comunicação Abicalçados/Brazilian Footwear