Os empresários
brasileiros estão voltando a exportar. Dados do próprio Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic)
mostram que este ano o número de empresas exportadoras está crescendo a uma média de 10% ao mês. É um grande percentual se
observarmos a reversão da trajetória de queda que assistíamos até o final do ano passado, avaliou o presidente da Associação
dos analistas de Comércio Exterior (AACE), Rafael de Sá.
Em janeiro e fevereiro cerca de 200 empresas voltaram a negociar
no mercado externo. Se em março mantivermos o ritmo, podemos dizer que é um tendência forte para o ano, comentou Sá.
O
motivo para o retorno ao mercado externo ainda é fruto de especulações entre os analistas. Mas a maioria acredita que o empresariado
percebeu que a baixa cotação da moeda norte-americana é a nova realidade cambial.
Eles perceberam que não adianta chorar
para o governo que não haverá mudança na política cambial. Se ganharam muito com o dólar a R$ 3,00, está na hora de redimensionar
os lucros e gastos e voltar a ativa, avaliou o professor de Administração da Universidade de Brasília (UnB), Ricardo Dasilva.
Sem
escapatória
Levantamento feito pelo DCI mostra que, mesmo com a apreciação do real em relação ao dólar, as empresas exportadoras
vêm encontrando caminhos para continuar crescendo. O estudo mostra que o lucro líquido das 23 maiores companhias exportadores
que já divulgaram balanço subiu quase 800% desde o final de 2002, atingindo R$ 26,1 bilhões.
O avanço ocorreu mesmo
com a depreciação de 40% do dólar em relação ao real nesses quatro anos. No mesmo período, o ganho das 27 maiores empresas
que atuam somente no mercado interno cresceu 340%, mostrando os benefícios da busca por novos mercados para as companhias.
Em
relação ao ano passado, a receita de venda das exportadoras subiu 7,3%, pulando para R$ 111,7 bilhões. Além disso, o lucro
líquido subiu 3% de 2005 para 2006, passando de R$ 25,3 bilhões para R$ 26,1 bilhões.
O setor de papel e celulose foi
o que mais avançou nesses quatro anos, com crescimento de quase 1.000% nos lucros desde 2002. Nos últimos anos, no entanto,
o câmbio tem pressionado as margens das companhias e reduzido o lucro. Em 2006, aumento do preço da celulose ajudou o segmento
a elevar os ganhos em 8%.
Desde 2004 o número de empresas exportadoras vinha caindo sucessivamente. De acordo com estudo
feito pelo Mdic, quase mil empresas já desistiram de exportar, e a maioria delas eram de pequeno e médio porte e participavam
do comércio exterior a pouco tempo. No período de 2004 para 2005, 951 empresas deixaram de exportar. Segundo o secretário
de Comércio Exterior (Secex), Armando Meziat, as empresas que exportam até US$ 100 mil ao ano são as que apresentaram maior
oscilação. Em 2005, nessa faixa de valor, 2.593 companhias passaram a vender seus produtos no exterior, contra 3.662 que deixaram
o mercado externo.
Desse total que não exportou no ano passado, 1.834 empresas eram industriais, 1.351 eram comerciais,
323 eram pessoas físicas, 47 eram indústrias agropecuárias, 14 da construção civil e 93 não tiveram classificação. Dados preliminares
do estudo do Mdic mostram que, do total de empresas que deixaram o comércio exterior em 2005, 75% não são habituais exportadoras.
Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae), este movimento é comum, apesar dos esforços para
que isso não ocorra com freqüência.
Fonte: Assintecal.org.br